Transparência Societária entra de vez no radar estratégico das empresas!
Durante muito tempo, a área fiscal foi vista principalmente como uma função operacional: cumprir obrigações, entregar arquivos e garantir que os tributos fossem pagos corretamente. Esse modelo ainda existe em muitas organizações. Mas ele já não é suficiente.
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A nova era corporativa exige mais clareza, segurança e inteligência na gestão das estruturas empresariais.
A Receita Federal publicou a Receita Federal do Brasil IN RFB nº 2.290/2025 e trouxe mudanças relevantes sobre a identificação de beneficiários finais de empresas e estruturas societárias no Brasil.
A nova norma amplia significativamente as exigências de transparência societária, criando o e-BEF, estabelecendo atualização anual obrigatória das informações e fortalecendo o cruzamento de dados pela administração tributária.
Mais do que uma atualização cadastral, a instrução sinaliza um movimento claro de aumento da fiscalização e do controle sobre estruturas empresariais consideradas mais complexas.
O que muda na prática?
Entre os principais pontos da nova regulamentação, destacam-se:
- criação do e-BEF como sistema eletrônico de registro de beneficiários finais;
- obrigação de atualização periódica das informações;
- ampliação das hipóteses de monitoramento e cruzamento de dados;
- maior rigor na responsabilização por inconsistências ou omissões;
- possibilidade de aplicação de penalidades em casos de descumprimento.
Outro aspecto importante é que a implementação ocorrerá de forma gradual, priorizando inicialmente estruturas societárias mais sofisticadas, especialmente aquelas com cadeias internacionais, holdings, trusts ou múltiplos níveis de participação.
Transparência deixa de ser apenas obrigação acessóriaPor muitos anos, a identificação de beneficiários finais foi tratada por muitas empresas apenas como uma etapa burocrática de cadastro.
Hoje, inconsistências cadastrais podem gerar impactos que vão além de multas, alcançando:
- restrições operacionais;
- aumento de exposição fiscal;
- dificuldades em operações financeiras;
- riscos reputacionais;
- questionamentos em auditorias e processos de due diligence.
A IN RFB nº 2.290/2025 também reforça uma tendência internacional de fortalecimento das políticas de transparência e rastreabilidade corporativa.
Empresas que possuem:
- participação estrangeira;
- estruturas holding;
- reorganizações societárias frequentes;
- operações internacionais;
- múltiplos sócios indiretos;
Devem olhar para o tema com atenção ainda maior.
O momento exige integração entre áreas jurídica, tributária, societária e de compliance para garantir consistência das informações prestadas aos órgãos reguladores.
Um novo cenário regulatório!A nova instrução normativa demonstra que a Receita Federal avança para um modelo mais preventivo, digital e orientado por inteligência de dados.
Nesse contexto, o beneficiário final deixa de ser apenas um dado cadastral e passa a ocupar posição central na estratégia de monitoramento e fiscalização das estruturas empresariais.
Para as empresas, o recado é claro: transparência societária agora faz parte da gestão estratégica de riscos.
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